09 setembro 2018

Viagem Inesperada

    Um dia fechei meus olhos e de repente estava olhando para o céu deitada na grama. Levantei devagar tentando identificar onde estava, não conseguia reconhecer aquele lugar. O silêncio foi cortado por palavras que viam de todos os lugares, não importava para onde eu olhava, não havia ninguém ali. Fechei os olhos novamente na tentativa de sair daquele lugar, não me parecia seguro e ao mesmo tempo era tão familiar...

     Comecei a caminhar com cautela naquele lugar escuro, fui na direção que a garota havia corrido. É infantil, mas eu sempre tive um certo medo do escuro, por mais familiar que aquele lugar era, era assustador para mim. As vozes voltaram, mas como sussurros e insultos, por algum motivo que desconheço, aquelas palavras me pareciam verdadeiras e eu não podia contrária-las. De repente todo aquele lugar escuro parecia desmoronar, eu precisava correr o mais rápido possível, mas estava me alcançando, até que vi uma corda e essa corda parecia forte o suficiente para me aguentar, eu só tinha isso para me apoiar, naquele momento me parecia minha única salvação, pulei e me agarrei aquela corda com toda coragem que tinha, segurava firmemente e assustada, mas aliviada por acreditar estar segura. Ao olhar para cima pude ver uma saída, comecei a me esforçar para subir e na minha mente dizia várias vezes "não sei desde quando está corda está aqui, não sei quanto tempo ficará, mas sou grata por encontrá-la'. O medo parecia ter ido embora, eu estava bem próxima e quando finalmente iria sair, a corda simplesmente desapareceu como mágica... comecei a cair, enquanto caia notei a presença de duas pessoas: a menina novamente e chorando mais uma vez, ela parecia chorar por tudo, mas não parecia estar assustada por estar caindo... parecia acostumada, parecia normal e ao lado dela uma mulher mais velha, sem expressão. Por que diabos aqui é tão familiar? Por que elas não estão assustadas?

     De repente eu bati com muita força dentro da água, foi uma dor imensa, mas o pior não era isso, eu simplesmente afundava cada vez mais, não conseguia subir, era sufocante! Fechei os olhos várias vezes, mas não conseguia acordar ou ir para outro lugar. Eu iria morrer assim? Sem entender o que estava acontecendo? Sem nem sabe onde eu realmente estava?
Quando parecia que não teria mais jeito e estava no fim do meu folego... abri os olhos e de repente estava na minha vidinha normal. O pior de tudo é que aquela sensação de ser sufocada não havia passado, a sensação de subir em uma corda e ela simplesmente sumir... também não havia sumido! Isso me fez lembrar de todas as vezes que confiei em alguém. Lembrei da menina chorando e notei que ela era eu quando criança e a mulher mais velha também seria eu, morta interiormente, por isso ela não tinha expressão e aquele lugar sendo destruído... era o meu interior? Era por isso que mesmo eu sabendo onde estava eu me sentia perdida e assustada?

Eu havia voltado para a minha realidade, mas parecia não fazer diferença estar ali ou aqui...


~ Letícia Trindade



Espero que tenham gostado...

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