25 maio 2018

Sociedade do Espetáculo


            Sociedade do espetáculo é um termo criado por Guy Debord na década de 60 do século XX. Ele observou as sociedades capitalistas e identificou três fases históricas: ser, ter e parecer, sendo a última delas consequência das duas primeiras. No início o valor comum da sociedade está no SER, sendo sua importância definida pelo que se é, plebeu, rei ou rainha, etc. Posteriormente, passa pela fase do TER, onde a importância do indivíduo depende do que ele tem, propriedades, joias, capital, etc. Por último, o PARECER, onde não só ter ou ser é importante, mas também o parecer ser ou ter.
            Apesar de não fazer parte da escola de Frankfurt, as ideias de Debord muito se assemelham as dos pensadores que compunham. Ele concordava com Marx quando se aprofunda no conceito de Marx no feitichismo pela mercadoria, ao ponto que atribui a debilidade das esferas público ou privado às forças capitalistas dominantes da Europa após a segunda guerra mundial.
            Não podemos generalizar o termo SOCIEDADE DO ESPETÁCULO como uma definição do capitalismo. O conceito é produto da análise de fatos históricos e não busca determinar realidade de todas as sociedades em qualquer época. Guy notabiliza as duas facetas da sociedade do espetáculo nas sociedades capitalistas desenvolvidas como difusa, que corresponde aos países capitalistas desenvolvidos, e a forma concentrada corresponde aos países socialistas (considerados por ele como países onde revigorava o capitalismo burocrático). Não obstante, nas sociedades subdesenvolvidas, ele compreende a constituição de uma terceira forma pela combinação das duas anteriores, denominando-a de espetacular integrado.

Podemos traçar um paralelo do modelo misto proposto por Guy com a sociedade brasileira atual no sentido de que cada vez mais tudo o que se apresenta aos consumidores pode ser confirmado apenas pelas imagens ou marketing. assim, as pessoas confiam naquilo que foi elaborado para elas. Não existe mais tempo útil para averiguar os fatos. Se alguém nos conta uma notícia, mas não dá imagens, nem nada do que foi dito é noticiado, por um momento começamos a pensar "Isso realmente aconteceu?". Ou seja, se não houve registro visível, não deve ter acontecido. Isto é a verdade transformada em imagem, o espetáculo, em verdade.        
            Desta maneira, o público é facilmente manipulável, pois dentro de uma imagem é possível adaptar, sem oposição, qualquer coisa. segundo Debord, está é uma consequência séria, porque resulta na desinformação, não é uma desinformação da negação da realidade, mas uma informação que transmite apenas uma certa parte da verdade, o mau uso da verdade, e as pessoas não procuram verificar os fatos. Ainda segundo ele, a pratica da desinformação só pode servir o Estado, sob a sua direção direta, ou por iniciativa daqueles que defendem os mesmos valores.
            Assim, a desinformação unida ao bombardeio diário de propagandas, faz parte do espetáculo do consumo e da fragmentação. E, de acordo com as convicções de Debord, esta sociedade é a negação da própria humanidade que em detrimento de sua liberdade de escolha procura por uma felicidade fabricada, garantida de forma antecipada em seu ilusório.

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