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| Andymbell |
Um grupo de cientistas conseguiu fazer um "transplante de memória" de um caracol marinho para o outro.
Qual processo usaram?
O experimento foi realizado com os caracóis da espécie aplysia californica. Separaram estes animais em dois grupos, um grupo treinado para desenvolver uma resposta defensiva para choques elétricos em laboratórios e o outro grupo não foi treinado. Naturalmente estes bichinhos se contraem como um mecanismo de defesa, mas isto normalmente dura apenas alguns segundos. Com os choques, essas contrações começaram a durar cerca de 50 segundos. Depois, tocados mesmo que de levemente, os treinados continuaram a se contrair por este tempo mais longo, enquanto o outro grupo por apenas 1 segundo.
O passo seguinte foi extrair RNA¹ das células nervosas dos dois tipos de caracóis, os acostumados e os não-acostumados, depois injetar estas moléculas em dois grupos de animais não-acostumados.
Resultado
Os que receberam RNA dos caracóis acostumados reagiram com contrações que duravam cerca de 40 segundos, o outro grupo que recebeu RNA de caracóis não-acostumados, não tiveram alterações em seu mecanismo de defesa.
Acreditava-se que as memórias se encontravam na sinapse do cérebro, as junções entre os neurônios. Cada neurônio tem milhares de sinapses.
"Se as memórias ficassem nas sinapses, nosso experimento não funcionaria de jeito nenhum", diz David Glanzman, Professor da UCLA (Universidade da Califórnia em Los Angeles), um dos responsáveis do estudo.
De acordo com os cientistas os processos celulares e moleculares nos caracóis são parecidos aos dos humanos, ainda que o sistema nervoso dos animais marinhos tenha apenas 20 mil neurônios - comparados aos aproximadamente 100 bilhões de neurônios que o homem tem.
As consequências publicadas no eNeuro² podem ajudar na busca por tratamentos para menizar efeitos de doenças como o Alzheimer e a Perturbação de Estresse Pós-Traumático.
"Estes são caracóis marinhos. Quando percebem ameaças, soltam uma bela coloração roxa e se escondem dos predadores. Estes caracóis (usados no estudo) se assustaram e soltaram tinta, mas não foram fisicamente afetados pelos choques" - Glanzman
1) RNA é a sigla para ácido ribonucléico, que é o responsável pela síntese de proteínas da célula
2) Um periódico de acesso aberto da Society for Neuroscience, eNeuro publica uma pesquisa de alta qualidade, ampla, com revisão por pares, focada no campo da neurociência.

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